Programa
Primeira Semana (16/01/2012 à 20/01/2012) - Palestras
Segunda-feira (16/01/2012)
8:30 às 9:30 Apresentação Curso de Verão em Genética
9:30 às 10:30 Palestra: "Desenvolvimento do sistema nervoso em insetos: modelo Apis mellifera"
Docente Responsável: Zilá Luz Paulino Simões (Lívia Maria Rosatto Moda)
10:30 às 11:00 Coffee Break
11:00 às 12:00 Palestra: “Células-tronco embrionárias e iPS – estudo da biologia funcional de células-tronco”
Docente Responsável: Rodrigo Alexandre Panepucci (Ildercílio Mota de Souza Lima e Mariane Serra Fráguas)
12:00 às 14:00 Almoço
14:00 às 15:00 Palestra: “Nutrigenômica”
Docente Responsável: Lusânia Maria Greggi Antunes (Alexandre Ferro Aissa)
15:00 às 16:00 Palestra: “NanoGenotoxicidade: o potencial genotóxico de nanopartículas”
Docente Responsável: Catarina Satie Takahashi (Leonardo Pereira Franchi)
16:00 às 16:30 Coffee Break
16:30 às 17:30 Palestra: “Biologia e genética do desenvolvimento de insetos"
Docente Responsável: Klaus Hartmann Hartfelder
Terça-feira (17/01/2012)
8:30 às 9:30 Palestra: "Oftalmogenética e Aconselhamento Genético de Doenças Oculares"
Docente Responsável: Víctor Evangelhista de Faria Ferraz
9:30 às 10:30 Palestra: “A obtenção de plantas transgênicas”
Docente Responsável: Maria Helena Goldman (Greice Lubini)
10:30 às 11:00 Coffee Break
11:00 às 12:00 Palestra: “Avanços no Melhoramento Genético Apícola”
Docente Responsável: Lionel Segui Gonçalves
12:00 às 14:00 Almoço
14:00 às 15:00 Palestra: “Epigenética e Reprodução”
Docente Responsável: Ester Silveira Ramos
15:00 às 16:00 Palestra: “Análise do transcriptoma utilizando microarrays”
Docente Responsável: Geraldo Aleixo Passos
16:00 às 16:30 Coffee Break
16:30 às 17:30 Palestra: “Avaliação genética e seleção de bovinos de corte”
Docente Responsável: Cláudia Cristina Paro de Paz
17:30 às 18:00 Palestra TesePrimer
Quarta-feira (18/01/2012)
8:30 às 9:30 Palestra: “A Moderna Genética de Populações”
Docente Responsável: Aguinaldo Luiz Simões
9:30 às 10:30 Palestra: " Aplicações forenses em Genética: a função do gene MC1R na pigmentação humana "
Docente Responsável: Celso Teixeira Mendes Junior (Leonardo Arduino Marano)
10:30 às 11:00 Coffee Break
11:00 às 12:00 Palestra: "Estratégias de prevenção e acidentes e impactos sociais provocados pelas abelhas africanizadas no Brasil"
Docente Responsável: Ademilson Espencer Egea Soares
12:00 às 14:00 Almoço
14:00 às 15:00 Palestra: “Grupo de Bioinformática”
Docente Responsável: Silvana Giuliatti (Nilson Nicolau Junior)
15:00 às 16:00 Palestra: “Conservação de Recursos Genéticos Vegetais”
Docente Responsável: Ana Lilia Alzate-Marin (Juliana Massimino Feres)
16:00 às 16:30 Coffee Break
16:30 às 17:30 Palestra: “ODYSSEY – scanner de ensaios imunológicos. Benefícios e características na análise de Western blotting, array de proteína, In-Cell, On-Cell e modelo animal”
Palestrante: Lucila Lussier, PhD (Uniscience)
Quinta-feira (19/01/2012)
8:30 às 9:30 Palestra: "Biologia e genética da conservação de abelhas nativas"
Docente Responsável: Tiago Maurício Francoy
9:30 às 10:30 Palestra: “Citogenética molecular aplicada ao diagnóstico”
Docente Responsável: Lúcia Regina Martelli (Flávia Gaona de Oliveira Gennaro)
10:30 às 11:00 Coffee Break
11:00 às 12:00 Palestra: “Genômica Funcional de Fungos: Um busca por novos alvos biotecnológicos e terapêuticos.”
Docentes Responsáveis: Nilce Rossi e Antônio Rossi (Maíra Pompeu Martins e Rodrigo da Silva Santos)
12:00 às 14:00 Almoço
14:00 às 15:00 Palestra: “Identificação de genes associados à anidrobiose - vida sem água”
Docente Responsável: Tiago Campos Pereira
15:00 às 16:00 Palestra: “Tecnologias de biologia molecular aplicada ao melhoramento genético bovino”
Docente Responsável: Raysildo Barbosa Lôbo (Anderson Mioranza e Vivian Taís Fernandes Cipriano)
16:00 às 16:30 Coffee Break
16:30 às 17:30 Palestra: “Sinalização Molecular em Resposta a Danos no DNA”
Docente Responsável: Elza Tiemi Sakamoto Hojo
Sexta-feira (20/01/2012)
8:30 às 9:30 Palestra: "A storage protein localized in the gonadal cell nuclei of the honey bee may have unusual role in cell proliferation"
Docente Responsável: Márcia Maria Gentile Bitondi (Juliana Ramos Martins)
9:30 às 10:30 Palestra: "Estrutura de populações, filogeografia e expressão diferencial de genes na evolução de espécies"
Docentes Responsáveis: Fábio de Melo Sene e Maura Helena Manfrin
10:30 às 11:00 Coffee Break
11:00 às 12:00 Palestra: “Aspectos Genéticos da infertilidade”
Docente Responsável: Lúcia Regina Martelli (Ciro Silveira e Pereira)
12:00 às 14:00 Almoço
14:00 às 15:00 Palestra: "Laboratório de genética molecular: dos SNPs aos miRNAs"
Docente Responsável: Wilson Araújo da Silva Junior (Daniel Vidal e Júlio César Centrulo Lorenzi)
15:00 às 16:00 Palestra: “Laboratório de Oncologia Pediátrica: Estudos Citogenéticos e Moleculares de Vias Associadas à Tumorigênese e Potenciais Alvos Terapêuticos.”
Docente Responsável: Luiz Gonzaga Tone (Priscila Maria Manzini Ramos)
16:00 às 16:30 Coffee Break
16:30 às 17:30 Apresentação de Pôster
Segunda Semana (23/01/2012 à 27/01/2012) – Minicursos (08:00 às 18:00)
Obs: Os alunos deverão escolher entre as opções A e B em cada um dos dias da semana, totalizando 5 mini-cursos ao final do evento.
Segunda-feira (23/01/2012)
A) Título: “Biologia do Desenvolvimento de Abelhas – Maturação Cuticular”
Docente Responsável: Claudinéia Pereira Costa
Palestrantes: Claudinéia Pereira Costa e Tiago Falcón Lopes
Resumo: A abelha Apis mellifera (Holometabola, Hymenoptera, Apidae) é um importante modelo experimental, tendo sido estudada tanto sob a perspectiva do apicultor como a de um biólogo molecular. Essa notabilidade sobre a chamada “abelha do mel” se deve à sua natureza singular associada a interesses econômicos não apenas pelos recursos aproveitáveis das colméias (cera, mel, própolis, geléia real, pólen, entre outros), mas também por seu potencial agrícola polinizador Em uma colônia de A. mellifera convivem três formas típicas de indivíduos adultos, morfológica e funcionalmente diferentes: o zangão (macho), a rainha (fêmea reprodutiva) e a operária (fêmea infértil, porém com potencial reprodutivo). De um modo geral, os machos são originados partenogeneticamente a partir de ovos não fertilizados enquanto as fêmeas são provenientes de ovos fecundados. As rainhas e operárias, ou castas, de A. mellifera se originam de larvas submetidas a regimes alimentares distintos, que resultam em padrões casta-específicos de regulação endócrina e expressão gênica. É importante ressaltar que tal explicação simplificada para a diferenciação dos sexos e das castas nessas abelhas omite fenômenos extremamente complexos, ainda não estão completamente elucidados. A. mellifera é um inseto holometábolo e, portanto, passa por metamorfose completa, ou seja, a partir de um estágio embrionário se desenvolve em larva, em pupa e, finalmente, se transforma no adulto. O processo metamórfico nos insetos ocorre dentro do contexto dos ciclos de crescimento caracterizados por mudas, ou seja, substituição periódica da velha cutícula por uma nova, recém sintetizada. A transição larval-imaginal ocorre através de dois ciclos de muda: a pupação (muda metamórfica) e a diferenciação do adulto (muda imaginal). Tanto a metamorfose como a determinação de castas correspondem a manifestações ontogenéticas denominadas polifenismos, por representarem variações fenotípicas intraespecíficas e descontínuas. Todo polifenismo consiste em um desvio no fenótipo potencialmente influenciado pelo ambiente e pelo genótipo. O presente mini-curso aborda a maturação cuticular em operárias de A mellifera, com ênfase na diferença de expressão de genes durante essa etapa do desenvolvimento da abelha.
B) Título: “Epigenética”
Docente Responsável: Ester Silveira Ramos
Palestrantes: Cristiana, Hélida, Sarah, Karina, Murilo, Filipe, Larissa
Técnico: Marli
Resumo: O termo epigenética refere-se às modificações que modulam a expressão gênica, mas que não alteram a sequência do DNA. Os mecanismos epigenéticos de silenciamento gênico têm sido descritos como sendo fundamentais em diversos processos biológicos, como por exemplo, imprinting genômico e inativação do cromossomo X em mamíferos. O imprinting (marcação) genômico é um processo epigenético de controle da transcrição gênica no qual apenas um dos alelos é expresso dependendo de sua origem parental. A maioria dos genes “marcados” é expressa principalmente em células neurais, tecidos fetais e extra-embrionários, e, portanto, estão envolvidos no crescimento fetal, funcionamento da placenta e no comportamento. Dentre as modificações epigenéticas, podemos citar como principais a metilação do DNA e as modificações covalentes de histonas, as quais revelam um “código de histonas” que aumenta o potencial de informação do código genético, alterando a estrutura da cromatina e levando a diferenças herdadas de estado “ligado-desligado” transcricionais. Também o silenciamento da expressão gênica pela ação de RNAs não codificadores (ncRNA) são considerados mecanismos epigenéticos de controle da expressão. Uma característica importante das marcas epigenéticas é que elas são potencialmente reversíveis, podendo variar de acordo com o tecido, estágios de embriogênese e gametogênese, sexo, idade do indivíduo e também fatores ambientais. Alterações do padrão epigenético têm sido amplamente associadas à etiologia de inúmeras doenças, como por exemplo, as síndromes de Prader-Willi, Angelman, Beckwith-Wiedemann e Silver-Russell. O curso visa proporcionar ao aluno conhecimento sobre: 1) Os principais mecanismos epigenéticos; 2) Suas atuações no controle do desenvolvimento normal; 3) Consequências de suas alterações na etiologia de doenças humanas; 4) Principais ferramentas laboratoriais utilizadas no estudo de modificações epigenéticas.
Terça-feira (24/01/2012)
A) Título: “Bioinformática Estrutural”
Docente Responsável: Silvana Giuliatti
Palestrantes: Nilson Nicolau Junior e Daniel Macedo de Melo Jorge
Resumo: A bioinformática estrutural surge como uma área da bioinformática que aplica-se ao estudo de moléculas que possuem estruturas, por exemplo: DNA, RNA, proteínas e outros compostos menores. Surge então, como um dos grandes desafios da bioinformática era pós-genômica, o estudo estrutural e funcional das proteínas, isto é compreender as funções e observar a estrutura das proteínas. Pensando nisso, os pesquisadores desenvolveram técnicas experimentais e in silico, que permitem identificar a estrutura da proteína. As técnicas experimentais são principalmente cristalografia de raios X e RMN para predizer modelos 3D de moléculas. Entretanto quando não é possível a utilização de métodos experimentais, os métodos in silico, que podem ser modelagem molecular por homologia, threading e ab initio. A modelagem por homologia e o threading geram estruturas a partir de moldes existentes. No caso de ab initio, as proteínas geradas não possuem um molde prévio. As proteínas geradas são avaliadas e escolhidas as com melhor estrutura. Depois de gerar as proteínas podem ser realizadas as análises mais variáveis possíveis, como estudo de interações de proteínas, estudo de inibição de proteínas e outras análises. Atualmente uma das grandes aplicações da bioinformática estrutural é o desenvolvimento de novos fármacos, que tem crescido devido ao grande investimento de grandes empresas.
B) Título: “Análise do transcriptoma utilizando microarrays”
Obs: Mini-curso disponível para até seis alunos em decorrência das atividades práticas
Docente Responsável: Geraldo Aleixo Passos
Palestrantes: Adriane Feijó, Amanda Assis e Janaina Dernowsek
Resumo: No presente trabalho, avaliamos o diabetes mellitus por meio da comparação de seus tipos principais: diabetes de tipo 1 (DM-1), tipo 2 (DM-2) e Gestacional (DMG). Para essa comparação, foram utilizadas células mononucleares do sangue periférico (PBMCs), com o objetivo de avaliar o transcriptoma completo (44 mil transcritos) de cada paciente, por meio da técnica de microarrays. Foram utilizados 19 pacientes de DM1, 20 pacientes de DM2 e 17 pacientes de DMG, oferecendo um total de 56 microarrays analisados. Esse enfoque tem como objetivo encontrar os chamados perfis de expressão gênica, que são grupos de genes com um padrão de expressão comum ou específico entre os tipos. Atualmente, novas técnicas de bioinformática têm sido criadas para extrair a maior quantidade de informações possíveis a partir desse conjunto de dados, isso inclui: (a) a filtragem automatizada de dados em larga escala, conhecida como análise de partição, que permite a busca desses perfis de expressão; (b) análise estatística avançada que permite a identificação de genes diferencialmente expressos pela comparação das diferentes formas da doença; (c) mapas de módulos que comparam estatisticamente as assinaturas especificas com características clinicas dos pacientes. Essa última análise é conhecida por oferecer a oportunidade de criar uma análise integrativa entre características demográficas, clinicas e laboratoriais dos pacientes com assinaturas de genes de expressão significativa. Nesse trabalho, comparamos as características fenotípicas dos pacientes com assinaturas gênicas de 12 tipos celulares da periferia que compõem as PBMCs, dados de Genome-Wide Association Studies (GWAS), e de genes relacionados com o diabetes e suas complicações associadas (angiopatia, retinopatia, neuropatia, nefropatia e obesidade), fornecidos por bancos de dados específicos. Os achados desse trabalho mostram que pacientes de DM1 agruparam com os de DMG, por uma assinatura de inflamação comum entre ambos tipos. Também identificamos a influência de medicamentos na expressão de inúmeros fatores de transcrição no DM2. Além disso, assinaturas de macrófagos, células dentriticas e genes relacionados com a obesidade forneceram informações reveladoras sobre cada tipo específico do diabetes.
Quarta-feira (25/01/2012)
A) Título: “Genética da Conservação”
Docentes Responsáveis: Ana Lilia Alzate-Marin, Ademilson Espencer Egea Soares e Eucléia Primo Betioli Contel
Palestrantes: Juliana Massimino Feres1; Marcela Corbo Guidugli1; Rômulo Maciel de Moraes Filho1; Ronai Ferreira Ramos1; Geusa Simone Freitas2; Paulo Emílio Ferreira e Alvarenga2
1Laboratório de Conservação de Recursos Genéticos Vegetais (Docente: Ana Lilia Alzate-Marin); 2Laboratório de Biologia e Genética de Abelhas (Docentes: Ademilson Espencer Egea Soares e Eucléia Primo Betioli Contel).
Resumo: O uso inadequado dos recursos naturais no Brasil tem causado degradação ambiental, extinção de espécies e, consequentemente, reflexos negativos ao equilíbrio natural. O entendimento de como a fragmentação do habitat afeta os processos ecológicos que envolvem populações de animais e plantas e como isso pode influenciar as espécies e sua persistência no habitat em longo prazo é um dos maiores desafios para biólogos evolutivos, ecólogos e biólogos da conservação. A fragmentação introduz uma série de novos fatores na história evolutiva de populações naturais de plantas e animais. Essas mudanças afetam de forma diferenciada os parâmetros demográficos de mortalidade e natalidade de diferentes espécies e, portanto, a estrutura e dinâmica de ecossistemas. Desse modo, avaliar os efeitos que a fragmentação de habitat possui sobre a diversidade e estrutura genética das espécies animais e vegetais é fundamental para que medidas efetivas de conservação sejam tomadas. A intensidade do fluxo gênico entre as populações pode ser considerada como o elemento-chave para predizer os efeitos da fragmentação. Isso porque a estrutura genética de populações naturais está intimamente relacionada com a capacidade de dispersão da espécie. Plantas são organismos sésseis e, portanto, dependentes de agentes polinizadores e dispersores de sementes para alcançar o sucesso reprodutivo. No Brasil existe uma grande diversidade de abelhas e dependendo do ambiente até 90% das plantas fanerógamas são polinizadas por abelhas. Dessa forma, o conhecimento do sistema reprodutivo e os padrões do fluxo gênico dentro dos sistemas tropicais podem ser fundamentais para a sobrevivência de espécies comprometidas, pois podem evitar a perda de variabilidade e ajudar na tomada de decisões conservacionistas. Sendo assim, o mini-curso é proposto com o intuito de conscientizar o público alvo para a importância de preservar e conservar o patrimônio genético. Para isso serão ministradas aulas teóricas e práticas que abordarão as seguintes temáticas: A) Conceitos e métodos básicos relacionados com a avaliação da diversidade genética de populações naturais; B) Efeitos genéticos da fragmentação florestal; C) Biodiversidade e Fluxo Gênico; D) Relações entre as características genéticas e reprodutivas das espécies de interesse para a conservação com os métodos de amostragem e de manutenção de coleções de germoplasma.
B) Título: “Utilização de diferentes marcadores moleculares como ferramenta na caracterização de populações humanas”
Docente Responsável: Aguinaldo Luiz Simões
Palestrantes: Claudia Caixeta Franco Andrade; Cláudia E. Vieira Wiezel; Fernanda Bueno Barbosa; Flavia Anan Saiki; Leonardo Arduino Marano; Natalia Fagundes Cagnin
Resumo: Os marcadores de DNA se dividem em: VNTRs (Variable Number of Tandem Repeat); inserções/deleções (sequências ALU, CNVs - copy number variation - e pequenas inserções) e os SNPs (single nucleotide polymorphism). Os VNTRs podem ser divididos em 3 subclasses: satélites – segmentos repetidos de 100 ou mais pares de base (pb); minissatélites – repetições de 10 a 100 pb e microssatélites, também chamados STR (Short Tandem Repeat) – seqüências repetidas de 2 a 6 bases. Muito pouco é conhecido sobre o mecanismo de formação dos elementos de DNA repetitivos com unidades de tamanho entre 7 e 9 nucleotídeos. Os SNPs são caracterizados por uma pequena variação genética que pode ocorrer na sequencia de DNA. Os SNPs ocorrem quando um único nucleotídeo é substituído por um dos três outros. Neste curso serão apresentados os diferentes tipos de marcadores moleculares, citados acima, utilizados em genética de populações. Também serão mostradas as diferentes técnicas empregadas para a tipagem de cada marcador. Abordaremos vários programas estatísticos (GENEPOP, ARLEQUIN, ADMIX, GDA) utilizados para a análise dos dados obtidos de cada um dos marcadores. Serão fornecidas informações necessárias para a elaboração de banco de dados e interpretação dos resultados gerados em cada um dos programas. Além disso, os alunos terão oportunidade de participarem de aulas práticas no laboratório, aprendendo algumas das técnicas ensinadas no curso, tais como: extração de DNA de sangue total e swab bucal, PCR e PCR/RFLP, eletroforese em gel de poliacrilamida desnaturante e não desnaturante, coloração com nitrato de prata e revelação com hidróxido de sódio, e por fim, a leitura dos géis de cada marcador.
Quinta-feira (26/01/2012)
A) Título: “Reprodução na espécie bovina”
Docente Responsável: Raysildo Barbosa Lôbo
Palestrantes: MSc. Adriana Renzi; MSc. Anderson Mioranza; Bch. Rafaella Curvelano Lemes; MSc. Vivian Taís Fernandes Cipriano
Técnico: Reginaldo Aparecido Vila
Resumo: Mais do que simplesmente o encontro e a fusão entre o gameta feminino e o masculino, a fertilização é a etapa inicial do desenvolvimento que permite a formação de um zigoto, com um novo potencial genético e com uma nova disposição do citoplasma, capaz de se desenvolver em um novo organismo multicelular. A oogênese inicia-se ainda na vida fetal, quando as oogônias se multiplicam por mitoses e se diferenciam em oócitos primários, os quais são envoltos por células somáticas, formando o folículo primário. Nessa fase, o desenvolvimento é bloqueado na prófase I da primeira meiose. Quando a puberdade é alcançada, a oogênese volta a ocorrer, e o folículo primário reinicia o desenvolvimento. Simultaneamente, as células somáticas se proliferam enquanto o oócito passa por alterações citoplasmáticas e nucleares, adquirindo desenvolvimento suficiente para ser ovulado, fecundado e progredir no desenvolvimento embrionário. A espermatogênese constitui uma seqüência de eventos reponsáveis pela formação do espermatozóide maduro, pronto para a fertilização. No período fetal, os machos já possuem células germinativas imaturas diplóides denominadas espermatogônias. Estas permanecem inativas até a puberdade, quando passam por sucessivas divisões mitóticas e aumentam de tamanho, tornando-se espermatócitos primários. Cada espermatócito primário passa pela meiose, originando quatro espermátides haplóides. Gradualmente, as espermátides vão se tornando espermatozóides, permanecendo armazenados no epidídimo, nos testículos até o momento da fecundação. A fertilização traz consigo o encontro de genomas haplóides de duas células altamente diferenciadas, o oócito e o espermatozóide, dentro do citoplasma do oócito. Com a junção dos genomas, o zigoto inicia as clivagens e quando atinge o estágio de nove a 16 células, ele passa a ser chamado de mórula. Na mórula, começam a ser formadas ligações incipientemente firmes entre as células, em um processo denominado compactação. A blastocele começa a se formar em bovinos quando o embrião apresenta por volta de 64 células. O fluido vindo do ambiente uterino ao redor do embrião passa por entre as células do trofoblasto e se acumula no interior da mórula compactada, dando origem ao blastocisto. A expansão e contração do blastocisto causam a eclosão deste da zona pelúcida por volta do oitavo dia após a fertilização. A produção in vitro de embriões (PIV) é uma biotécnica de reprodução assistida muito utilizada nos dias de hoje tanto para a multiplicação animal, como também abrindo possibilidade de utilizar bezerras pré-púberes, vacas com subfertilidade e vacas senis. Além disso, a PIV é também uma ferramenta de suporte para outras biotécnicas como clonagem, transgênese e transferência nuclear, além de auxiliar na pesquisa de todos os passos envolvidos no processo, como a maturação, fertilização, capacitação espermática e desenvolvimento embrionário na fase pré-implantacional. O Brasil hoje ocupa uma posição de destaque no cenário mundial, sendo responsável por quase 50% da produção de embriões in vitro. As etapas envolvidas na PIV são: maturação oocitária, fertilização e finalmente o desenvolvimento embrionário pré-implantacional, que segue até o estágio de blastocisto.
B) Título: “Nutrigenômica: a análise da expressão gênica em função de variações nutricionais em micro-organismos eucariotos”
Docentes Responsáveis: Nilce Rossi e Antônio Rossi
Palestrantes: Maíra Pompeu Martins, Aline Helena da Silva Cruz, Niege Silva Mendes, Rodrigo da Silva Santos e Larissa Gomes da Silva.
Resumo: Os micro-organismos possuem um sistema de transdução de sinal que os permitem adaptar ao pH ambiente, às condições de déficits nutricional, à presença de agentes citotóxicos e ao mecanismo de defesa do hospedeiro. Essa rede de transdução de sinais responde, por exemplo, a sinalização do pH ambiente, e esse sensoriamento e adaptação provavelmente estão envolvidos nos mecanismos de virulência e patogenicidade desses organismos. O dermatófito Trichophyton rubrum, por exemplo, eleva o pH ambiente de ácido para alcalino durante o cultivo em substratos queratinizados, alterando simultaneamente o perfil enzimático secretado. Assim, para se adequarem a essas mudanças ambientais, os micro-organismos modulam a expressão dos seus genes para os ajustes fisiológicos necessários. A regulação da expressão gênica é vital para todos os organismos se adaptarem, porém esses mecanismos adaptativos são altamente complexos e a maioria deles não está completamente esclarecida. Diante disso, organismos modelo são frequentemente utilizados a fim de estabelecer e identificar os mecanismos envolvidos nessa adaptabilidade. Deste modo, nesse mini-curso utilizaremos linhagens selvagem e mutante do fungo modelo Aspergillus nidulans, visando analisar suas diferenças fenotípicas e a expressão diferencial de genes participantes de vias metabólicas desse fungo. Para tanto, o fungo será submetido a diferentes condições de estresse ambiente e seus genes comparados previamente com homólogos de outros micro-organismos por meio de ferramentas de bioinformática.
Sexta-feira (27/01/2012)
A) Título: “Cometa em células humanas in vitro/Biossegurança no laboratório”
Docentes Responsáveis: Elza Tiemi Sakamoto Hojo e Catarina Takie Takahashi
Palestrantes: Luiz Augusto da Costa Júnior; Tiago Alves Jorge de Souza e Leonardo Pereira Franchi
Resumo: A Genética Toxicológica avalia efeitos genotóxicos em potencial de agentes exógenos, uma vez que são pré-requisitos importantes para o desenvolvimento de efeitos adversos à saúde como o câncer. Um grande número de testes de curta-duração estão disponíveis para a avaliação desses efeitos. Entre os sistemas-teste o Ensaio Cometa ganhou destaque no cenário científico. Esse ensaio tem demonstrado sensibilidade para a avaliação de danos e cinética de reparo do DNA em uma variedade de tipos celulares, induzidos por uma variedade de agentes químicos e físicos. Em comparação com outros métodos também sensíveis, o ensaio é relativamente preciso e econômico no uso de materiais. O teste foi desenvolvido por Singh et al. (1988), seu princípio básico é o da lise de membranas celulares e proteínas nucleares (incluindo as histonas), e subsequentemente, da descompactação do DNA sob condições alcalinas. Em seguida ocorre a indução da migração eletroforética do DNA liberado em matriz de agarose. Quando visto ao microscópio, o DNA migrado adquire a forma aparente de um cometa, com cabeça - a região nuclear, e a cauda - que contém fragmentos ou fitas de DNA que migraram na direção do ânodo. Sendo assim, hoje uma o Ensaio Cometa é uma das técnicas mais utilizadas em Genética Toxicológica e com um grande número de publicações. Biossegurança é um conjunto de procedimentos, ações, técnicas, metodologias, equipamentos e dispositivos capazes de eliminar ou minimizar riscos inerentes às atividades de pesquisa, produção, ensino, desenvolvimento tecnológico e prestação de serviços, que podem comprometer a saúde do homem, dos animais, do meio ambiente ou a qualidade dos trabalhos desenvolvidos. A intenção da discussão sobre biossegurança com os alunos do curso de verão é apresentar quais os possíveis riscos de acidentes, riscos ergonômicos, riscos físicos, riscos químicos e riscos biológicos que podem acontecer dentro de um ambiente de laboratório. Ainda, os procedimentos que devemos ter para que esses riscos não ocorram ou até mesmo para minimizar esses possíveis acidentes serão também apresentados.
B) Título: “Comportamento e Genética de Abelhas Apis mellifera”
Docentes Responsáveis: David de Jong e Lionel Segui Gonçalves
Palestrantes: Aline Patrícia Turcatto, Clycie Ap. da Silva Machado, Daiana Almeida de Souza
Joyce Mayra Volpini de Almeida
Resumo: As abelhas do gênero Apis são insetos eussociais altamente especializados e, mostram um complexo padrão de organização, principalmente no interior do ninho. A organização social tem grande componente genético e é altamente adaptado ao ambiente externo. As abelhas Apis mellifera foram inicialmente introduzidas no Brasil por imigrantes europeus. Entretanto, as abelhas a princípio introduzidas eram de origem européia, adaptadas ao clima mediterrâneo e, em virtude disso, pouco produziam em nosso território. Desta maneira, em 1956, a pedido do governo brasileiro, o Prof. Dr. Warwick E. Kerr introduziu em Rio Claro – SP algumas colônias de Apis mellifera scutellata provenientes da África do Sul. O intuito desta introdução era, através de cruzamentos controlados, criar uma nova raça de abelhas que aliasse as características desejáveis das abelhas africanas e européias como mansidão, alta adaptabilidade e principalmente alta produtividade. Entretanto, após um acidente, 26 colônias enxamearam e iniciaram um processo de hibridização com as abelhas pré-introduzidas dando início ao processo que hoje conhecemos como Africanização. Neste novo híbrido, que se espalhava pelo continente, predominavam as características das abelhas africanas, como alta defensividade, alta capacidade enxameatória, alta produtividade e grande resistência a doenças da colônia. Esta abelha, rapidamente se espalhou pelo Brasil e subsequentemente pelas Américas, atingindo o limite sul de sua distribuição nas proximidades do paralelo 35º na Argentina e seu limite ao norte, ainda continua em expansão, tendo atingido os Estados Unidos em 1990. Os diversos tipos de análise mostram que as abelhas existentes hoje são muito parecidas com o ancestral africano, seja o perfil morfológico ou genético. Este evento foi talvez um dos mais extraordinários exemplos de dominância de uma subespécie sobre as demais, fato este que gerou diversas questões sobre genética e comportamento deste inseto. As características de enxameação facilitaram o avanço das abelhas africanizadas pelo continente americano, tão rapidamente que as abelhas foram invadindo as matas e cidades, que ofereciam os mais diversos tipos de nichos e condições favoráveis ao seu desenvolvimento. A enxameação ocorre quando uma colônia divide e 30 a 70% das abelhas, juntamente com sua rainha, abandona a colméia para iniciar uma nova colônia. A enxameação reprodutiva é um processo normal que é necessário para a sobrevivência das espécies. Essa é uma estratégia reprodutiva em abelhas melíferas, a fim de repor colméias perdidas na natureza por predação ou fome e para dar continuidade ao povoamento dos nichos ecológicos. De modo geral, são várias as causas dos processos de enxameação em abelhas africanizadas tais como: fatores ambientais, falta de espaço e de alimento na colméia, épocas de floração, feromônio da rainha, etc. a manutenção da homeostase social e por sua vez da sobrevivência de uma colônia de abelhas do gênero Apis está intimamente relacionada com a rainha: mantém a colônia coesa e estável. Todas as informações necessárias para a homeostase social de abelhas do gênero Apis são transmitidas ou dependem da comunicação entre seus integrantes; uma inata habilidade de enviar e receber mensagens, para codificar as informações. Elas utilizam mensagens químicas, táteis, auditivas e visuais como ferramentas para comunicação. Além do comportamento enxameatório, outro de grande interesse relaciona-se ao comportamento higiênico das abelhas do gênero Apis, o qual é apontado como um dos caracteres mais interessantes para seleção de abelhas tolerantes à doenças, que permite reduzir ou eliminar o uso de tratamento químicos. Atualmente, sabe-se que a base do comportamento higiênico é a genética. Dois pares de genes recessivos controlam esse comportamento nas abelhas (gene d = desoperculador e gene r = removedor) que me homozigose (dd/rr) permitem que as abelhas portadoras de ambos os genes sejam classificadas como higiênicas, e novas pesquisas vem sendo realizadas na tentativa de se esclarecer qual o verdadeiro número de genes que estão realmente envolvidos em tal comportamento. Graças ao comportamento higiênico, as abelhas possuem a habilidade de detectar, desopercular e remover crias danificadas, doentes, mortas e com ácaros dentro das células.
Terceira Semana (30/01/2012 à 03/02/2012) – Estágio (08:00 às 18:00)
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Docente |
Vagas |
Contato |
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Aguinaldo Luiz Simões |
2 |
alsimoes@fmrp.usp.br |
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Catarina Satie Takahashi |
2 a 4 |
cstakaha@usp.br |
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Cláudia Cristina Paro de Paz |
1 |
ccppaz@rge.fmrp.usp.br |
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David de Jong |
4 |
ddjong@fmrp.usp.br |
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Elza Tiemi Sakamoto Hojo |
3 |
etshojo@usp.br |
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Lúcia Regina Martelli |
2 |
lrmartel@rge.fmrp.usp.br |
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Nilce Rossi e Antônio Rossi |
2 |
nmmrossi@usp.br; anrossi@usp.br |
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Wilson Silva Júnior |
2 |
wilsonjr@usp.br |















